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Diretores da ACS/AL acompanham o julgamento do acusado de matar o capitão Rodrigues

Esposa do militar é sócia da entidade e associação prestou solidariedade a Cabo da PMAL

Desde o início da manhã desta segunda-feira (04) dezenas de familiares do Capitão Rodrigo Moreira Rodrigues e policiais militares acompanham no Fórum da Capital o julgamento do Agnaldo Lopes de Vasconcelos que confessou o assassinato do PM ocorrido em 9 de abril de 2016 quando o referido militar realizava uma ocorrência policial. Na época, os PMs buscavam um suspeito de roubo de celular. Agnaldo foi preso horas depois, confessou o crime, mas relatou que agiu em legítima defesa.

O auditório do Fórum estava lotado por familiares do capitão Rodrigues, bem como do acusado. As duas famílias vestiam camisas fazendo referência a ambos com fotos e frases fortes. O vice-presidente da Associação dos Cabos e Soldados em Alagoas, Cabo Abdi e a 1° secretária da entidade, Cabo Viviane marcaram presença no julgamento e deram uma força a Cabo Klarita Omena, esposa do militar assassinado.

Segundo o Cabo Abdi, que está acompanhando o julgamento desde cedo, a esperança é que a justiça seja feita. “Esperamos a condenação do acusado de assassinar o capitão Rodrigues. Ele era um homem íntegro e morreu na prática do seu dever”, disse.

“O militar teve sua vida ceifada de maneira brutal. Somos solidários a viúva que é nossa sócia e faz parte da briosa e desejamos justiça”, complementou a Cabo Viviane.

A Cabo Klarita Omena acredita na justiça. “Estou tranquila e confiante no resultado a nosso favor”, finalizou.

O juiz Anderson Passos que conduz a sessão informou que há cinco testemunhas, uma delas é declarante e o próprio réu. “Há uma estimativa de término ainda hoje. Talvez dure mais um pouco, já que é um processo onde há muitas questões a serem esclarecidas”, explicou.

Depoimento da Cabo Klarita

Sobre o dia 04 de dezembro, tudo planejado na minha cabeça: me esconder, desativar o aniversário no face porque não queria sequer receber mensagens. Apenas queria ter o poder de apagar este dia, pois meu amado não está aqui e não acordaremos a três. Tem uma lacuna, pois meu luto está vivo aqui dentro. Eu não escolhi vivê-lo. É uma condição que impuseram covardemente. De repente Deus diz que os planos eram dEle e não meus…Em um domingo a Lidi me liga para me dar a pior notícia: julgamento marcado para o dia 04.12 e naquele momento eu procurei a Klarita forte, a Klarita que sabe controlar as emoções e não a encontrei! Eu caí, eu chorei, eu sofri absurdamente na frente do meu filho e ele me abraçava, olhava nos meus olhos e dizia: não “chola” mamãe, “decupa”! Aquilo me doeu mais do que a própria notícia da data e até hoje não sai da minha memória. Eu tenho pago um preço muito alto desde que Rodrigo se foi e eu comecei a agradecer a Deus porque esse dia ia chegar ao invés de me lamentar. Eu finalizaria a pior etapa porque eu sei o que eu passei até chegar aqui. O sentimento de impunidade é tão devastador quanto a própria morte. Eu não lutei porque apenas perdi, eu lutei pela convicção de uma ação correta que ele dominava como ninguém. Eu queria hoje poder dizer para ele que chegamos até aqui, que lutei por ele e pelo nosso filho. Me envolvi como uma leoa, como uma mãe desesperada que se alegrou e chorou sozinha ao ver os primeiros passos do nosso filho, lutei como uma esposa que foi assassinada no dia 09.04.16, sim, parte de mim está morta. Ele foi a nossa inspiração o tempo todo, pois não estou sozinha, tem um batalhão comigo (amigos, família, mães e esposas de militares, que se colocaram no meu lugar). São diversas as mensagens de apoio que recebo diariamente e quero já agradecer pela grande rede de apoio e solidariedade. Isso só reforça em mim a certeza que a justiça será estabelecida. Sou cristã, acredito e respeito a vida e amo a justiça porque um dos atributos do próprio Deus é a justiça, e Ele ama a justiça. “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”.

Texto: Deisy Nascimento (ASCOM – ACS/AL)